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ANJOS E DEMÔNIOS – Parte I

Geralmente as pessoas têm uma noção vaga, superficial e infantil sobre os santos anjos. Como se fossem figuras de ficção como fadas e duendes. Nem as imagens e pinturas conseguem expressar um pouco da realidade sobre esses seres espirituais. Anjinhos gordinhos sobre nuvenzinhas e com feições meramente infantis são o que freqüentemente encontramos.


A Bíblia, a Tradição, os Santos Padres, o Magistério da Igreja e os doutores e teólogos nos apresentam a verdade sobre os santos anjos: espíritos puros e de fina inteligência e vontade livre que possuem, abaixo de Deus, domínio sobre as criaturas, as forças naturais, os elementos e sobre os espíritos demoníacos. Muitos negaram a existência dos anjos na antiguidade e muitos outros a negam nos dias de hoje. São pessoas que não acreditam senão nas coisas que os olhos podem ver e que podem ser tocadas. Dizem esses serem os anjos criação de culturas pagãs ou fruto da capacidade humana em fantasiar. Mas até pela razão é possível ao homem conhecer a existência dos anjos. Isso, primeiramente, porque a razão humana se deleita com a idéia da existência de espíritos puros e na observação da criação podemos perceber uma grande conveniência para a ordem do universo. Contudo, para concluirmos que os anjos existem, temos o amparo da Bíblia e da Tradição (Verdades reveladas que nos foram transmitidas pelos apóstolos e que a Igreja conserva e transmite). Além do mais a existência dos anjos é uma Verdade de fé (Verdade tirada da Bíblia e proposta pela Igreja com o dever de se acreditar. Negar uma Verdade de fé é heresia). A existência dos anjos como Verdade de fé foi definida pelo IV Concílio de Latrão (1215): “Deus..., desde o princípio do tempo criou do nada duas espécies de seres – os espirituais e os corporais, isto é, os anjos e o mundo. Também deste modo se expressa o I Concílio Vaticano (1870). Segundo a teologia católica existe uma hierarquia celeste que determina a ordem dos Anjos, segundo o seu grau de entendimento de Deus, sua união com Deus e o dom da luz divina que recebem e transmitem aos Anjos dos graus inferiores. • 1ª Hierarquia: Serafins (Isaías 6,2) • 2ª Hierarquia: Querubins (Genesis 3,24; Êxodo 25,18; III Reis 6,23; Salmo 17,11; Ezequiel 10,3 Daniel 3,55) • 3ª Hierarquia: Arcanjos (I Tessalonicenses 4,15; Judite 9) • 4ª Hierarquia: Anjos, Potestades e Virtudes (I Pedro 3,22) • 5ª Hierarquia: Principados e Dominações (Efésios 1,20-21) • 6ª Hierarquia: Tronos (Colossenses 1,16) Não sabemos o número exato dos anjos, mas sabemos que são muitíssimos: “E ouvi a voz de muitos anjos em volta do trono (...) e era o número deles milhares de milhares.” (Apocalipse 5,11) Várias passagens da Bíblia relatam ocasiões em que pessoas se prostram diante da aparição de anjos para adorá-los, pensando em se tratarem de Deus, tamanho é o seu esplendor: “Prostrei-me aos pés do anjo para adorá-lo; porém ele disse-me: Vê, não faças tal; porque sou servo de Deus como tu (...). Adora a Deus.” (Apocalipse 22,9) Os anjos, por serem criaturas puramente espirituais, são imortais. Não possuem matéria corruptível como os homens. A natureza humana é composta, formada de corpo e alma, enquanto os anjos têm natureza simples, puramente espiritual. O que não significa que podemos comparar os anjos como a alma humana separada do corpo. Cada anjo é individualmente uma pessoa dotada de inteligência, livre arbítrio (capacidade de fazer escolhas) e das capacidades de conhecer, amar e servir. Por isso mesmo, segundo Santo Tomás de Aquino, estes foram submetidos a uma prova no mesmo momento de sua criação, logo em seguida cessou para eles o tempo de merecer. Os anjos fiéis mereceram a visão beatífica, enquanto que os infiéis foram condenados à pena eterna. Embora a capacidade de conhecer dos anjos seja muitíssimo superior à do homem, ela tem limite. Os anjos, por exemplo, não conhecem o futuro, o que vale igualmente para os demônios. Conhecem muito bem as leis da natureza e, usando de sua fina inteligência, podem prever o desenrolar de acontecimentos através das causas presentes. Também podem cogitar como os homens reagirão em determinadas circunstâncias, em razão do conhecimento psicológico do homem e de sua alma. Segundo o Cardeal Lepicier, em seu livro “O Mundo invisível, a ciência humana é muito excedida pela ciência angélica, tanto em extensão como em precisão. Segundo Santo Tomás os anjos, como os homens, também se comunicam entre si. Mas enquanto nós só podemos comunicar um pensamento aos outros por meio da palavra oral ou utilizando-se de outro meio exterior, para os anjos é suficiente um ato da vontade em se dirigirem a outros anjos e está comunicado. No entanto os anjos são diferentes entre si e uns são mais perfeitos que outros. Então, os mais perfeitos comunicam aos menos perfeitos aquilo que eles vem mais em Deus. Dessa mesma forma eles podem comunicar aos homens bons pensamentos por meio de imagens sensíveis, mas não podem mover diretamente a vontade humana, isso só Deus e o próprio ser humano. (Fonte: “Anjos e Demônios – A Luta Contra o Poder das Trevas” Gustavo Antônio Solímeo – Luiz Sérgio Solímeo)


 
 
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