Quem somos
Trento, 1944
Em um refúgio anti-aéreo
abrimos ao acaso o Evangelho
na página do Testamento de Jesus:
“Pai, que todos sejam um, como eu e tu”.
Aquelas palavras pareciam iluminar-se uma a uma.
Aquele "todos" foi o nosso horizonte.
Aquele Projeto de Unidade a razão da nossa vida.
Chiara Lubich
O primeiro núcleo em Trento...
É num panorama de ódio e violência, durante a 2ª Guerra Mundial que se acende a centelha inspiradora, a "descoberta fulgurante" do Único que "nenhuma bomba pode destruir": Deus. Deus, experimentado como Amor, muda radicalmente a vida de Chiara Lubich, na ocasião com um pouco mais de vinte anos de idade. Uma experiência comunicada e compartilhada imediatamente com suas primeiras companheiras.
Aos refúgios anti-aéreos levam somente o Evangelho. Descobrem “como” responder ao Amor. É a própria Chiara que escreve naquele tempo: "Cada dia novas descobertas: o Evangelho tornava-se o nosso único livro, única luz de vida".
No mandamento do amor recíproco descobrem a lei para recompor, através da fraternidade, a sociedade desagregada. "Colocávamos tudo em comum: utensílios, casas, ajuda, dinheiro. Era uma outra vida".
Com admiração, aquele primeiro grupo experimenta a luz, a força, a coragem, o amor, frutos da presença de Jesus, prometidos por Ele quando dois ou três estão reunidos no Seu nome. Uma luz que ilumina a última oração de Jesus ao Pai: que todos sejam um. Este projeto divino sobre a família humana, torna-se o programa da vida delas: "Façamos da unidade entre nós um trampolim para correr onde não há unidade e realizá-la".
Os efeitos: "Cada dia aumentam ao nosso redor pessoas de todas as idades e condições sociais. Ódio e rancor são apagados. Muitas famílias se recompõe em paz”. Nasce a certeza que no Evangelho está a solução de todos os problemas individuais e sociais.
... um Movimento
Rapidamente aquele primeiro grupo torna-se um Movimento que suscita uma renovação espiritual e social. Em pouco mais de 60 anos de vida alcançou uma difusão mundial (182 países), além de dois milhões de aderentes e uma irradiação de alguns milhões, dificilmente quantificável.
Um pequeno povo – Por causa da diversidade da sua composição, com os anos o Movimento assume as dimensões de um pequeno povo, como o definiu o Papa João Paulo II: abraça não só católicos, mas também cristãos de diferentes Igrejas e Comunidades Eclesiais, além dos hebreus. Aos poucos vão fazendo parte do Movimento, seguidores das grandes religiões e até pessoas sem uma referência religiosa. A adesão ao Movimento acontece sem sincretismos, na plena fidelidade à própria identidade. Comum é o empenho de viver, de várias maneiras, o amor e a unidade que estão inscritos no DNA de todo homem.
Porque a denominação de Movimento dos Focolares- Desde o início o Movimento foi denominado pelas pessoas de Trento como "dos focolares", por causa do "fogo" do amor evangélico que animava Chiara Lubich e suas primeiras companheiras.
Fundadora: Chiara Lubich. Ela mesma ressalta que o Movimento "não foi pensado por uma mente humana, mas é fruto de um carisma que vem do Alto. Nós procuramos seguir a vontade de Deus, através das diversas circunstâncias, dia após dia".
As aprovações – O Bispo de Trento, Mons. Carlo De Ferrari, dá a sua primeira aprovação, na Igreja local, em 1947: “Aqui existe o dedo de Deus”.
Seguem-se as aprovações pontifícias: a primeira em 1962; a mais recente, para os desenvolvimentos ulteriores, em 1990.
Um Movimento eclesial - Os Focolares inserem-se no atual fenômeno de florescimento dos movimentos eclesiais que originam-se de um "carisma preciso, doado à pessoa do fundador" (João Paulo II), ou seja de um "dom do Espírito" que suscita sem cessar "a novidade do cristianismo" (card. Ratzinger). João Paulo II reconhecerá no carisma de Chiara Lubich um "radicalismo do amor" e, no Movimento, o perfil da Igreja do Concílio, aberta aos vários diálogos (19.8.1984).
Espiritualidade da Unidade
Enquanto se acreditava que simplesmente se vivia o Evangelho – escreve ainda Chiara Lubich – inadvertidamente o Espírito ia ressaltando algumas Palavras que deveriam tornar-se os princípios operantes de uma nova corrente espiritual: a espiritualidade da unidade".
É a partir desta espiritualidade, do estilo de vida de pessoas de toda idade, categoria, vocação e cultura, que o Movimento se desenvolve. No coração do Movimento estão os 'focolares', pequenas comunidades masculinas ou femininas, de virgens ou casados.
No quadro atual de mudanças que marcam uma época, compartilhando com a humanidade a sofrida gestação de uma nova sociedade globalizada, interdependente, multicultural e multireligiosa, o Movimento está empenhado, juntamente com muitas outras forças que se movem para este mesmo objetivo, a compor na unidade a família humana, enriquecida pela diversidade.
Instrumentos de unidade
Principalmente os "focolares", reunidos por "regiões" e convergentes em um único "Centro Internacional". Pouco a pouco, desta única árvore nascem numerosas ramificações, entre as quais movimentos de grande alcance, que fazem germinar sementes de renovação nos mais diversos âmbitos da sociedade e da Igreja, abrindo espaços de fraternidade e de unidade:
- Famlias Novas
- Humanidade Nova
- Jovens por um Mondo Unido
- Movimento Juvenil por la Unidade
- Movimento Paroquial e Diocesano
- Movimento Sacerdotal
- Movimento dos religiosos e religiosas pertencentes a diversas Congregações
Caminhos para a unidade: os diálogos
O diálogo com indivíduos, personalidades e movimentos, comunidades e grupos, se delineia como um caminho especial para promover a unidade:
- Na própria Igreja, para aprofundar a comunhão entre os movimentos eclesiais, novas comunidades e associações leigas, com carismas antigos e novos das congregações religiosas;
- Entre as Igrejas, para construir relacionamentos de comunhão fraterna e de testemunho comum, que fazem cair preconceitos e dão abertura ao diálogo da vida, do povo, como fermento para acelerar o caminho da unidade visível entre os cristãos
- Com o hebraismo, para sanar feridas de séculos e redescobrir o patrimônio e as raízes comuns;
- Entre as religiões; para construir um mundo fraterno sobre os valores do espírito;
No social
A reciprocidade do amor até a construção da unidade se revela como “código” para transformar o social, imprimindo as dimensões da comunhão, solidariedade nos diversos âmbitos da sociedade como: política, economia, relações entre os povos, moralização pública e ética social, saúde, educação e cultura, comunicação social. De especial relevância:
- Movimento político pela unidade aberto a pessoas empenhadas em diversos níveis, das mais diferentes tendências partidárias, propõe a fraternidade como categoria política em vista do bem comum. www.mppu.org
- Economia de Comunhão: projeto que, no mundo da economia, inspira a gestão de mais de 750 empresas e tem um impacto também no campo cultural. www.edc-online.org
- Cooperação internacional. Mais de 1000 são as obras sociais de diversas dimensões nos 5 continentes. São especialmente desenvolvidas aquelas que atuam no campo sócio-sanitário e educativo nas áreas mais carentes. A valorização da reciprocidade suscita auto-desenvolvimento e resgate social, ação sustentada por uma ONG do Movimento, a AMU: Ações por um Mundo Unido. www.azionemondounito.org
Modelos de uma nova sociedade: as cidadezinhas
As cidadezinhas, ou Mariápolis Permanentes, são 35, em diversos estágios de desenvolvimento, com características da cultura na qual surgiram. São cidades em miniatura com casas, escolas, empresas, locais de culto, etc. Oferecem um modelo de convivência para as grandes cidades através do estilo de vida que promovem.
Formação à unidade. São 63 os "Centros Mariápolis" para a formação espiritual e social dos membros, em 46 nações. São 8 na Itália, mais o Centro Internacional que tem sede em Castelgandolfo (Roma). Escolas de formação permanentes para as diversas ramificações do Movimento surgem nas diversas cidadezinhas.
Cultura da unidade
Um Centro de Estudos Interdisciplinares, a Escola Abba, reúne docentes empenhados em elaborar as primeiras linhas de uma cultura iluminada pelo carisma da unidade. Um desenvolvimento complementar, de caráter cultural, deu-se com a constituição de redes internacionais de estudiosos, especialistas, estudantes que aprofundam cada uma das disciplinas e promovem congressos, cursos de formação, publicações.
Mídia
Para difundir esta cultura:
- Editora Cidade Nova, presente em 31 países;
- Cidade Nova, periódico de opinião: 37 edições em igual número de nações, em 22 línguas: www.cittanuova.it / www.cidadenova.org.br
- Abba, revista de cultura;
- Unidade e Carismas, revista bimestral de cultura e atualização eclesial, editada em diversas línguas;
- Centro Sta. Chiara e Charisma, centros de produções audiovisuais.
Reconhecimentos
- Foram expressos vários reconhecimentos ao Movimento, na pessoa de Chiara Lubich, pelo trabalho em favor do diálogo, da unidade e da paz, de:
- Responsáveis das diversas Igrejas: Ortodoxa, Anglicana e Evangélico-luterana;
- Representantes de diversas religiões: hebreus e hindus;
- Organismos civis, nacionais e internacionais: entre os quais Unesco, Conselho da Europa, Universidades e outras entidades culturais e governos municipais.
Obra de Maria
O Movimento foi aprovado oficialmente pela Igreja Católica com a denominação "Obra de Maria".
Traz este nome porque a "sua típica espiritualidade, a sua fisionomia eclesial, a variedade de sua composição, a sua difusão universal, as suas relações de colaboração e amizade com cristãos de diferentes Igrejas e comunidades eclesiais, pessoas de diferentes credos e de boa vontade, e a sua presidência leiga e feminina, demonstram o particular vínculo existente entre a Obra e Maria Santíssima, Mãe de Cristo e de cada homem". (Estatutos Gerais, art. 2)
AS MARIÁPOLIS
(do livro “Erano i tempi di guerra”)
O que é a Mariápolis?
A declaração de um operário italiano resume o seu espírito: “Fiquei admirado com a fraternidade que existe aqui: realmente não esperava. Fiquei encantado. O fato é que se deve participar para experimentar; e dizê-lo é uma coisa, mas estar aqui é outra. Ah, que semana!”
Estes encontros aos quais damos o nome de Mariápolis, surgiram espontaneamente: o Espírito de Deus os suscitou, o Esposo de Maria.
O primeiro esboço se delineou na região Trentina, nos Alpes de Tonadico, uma cidadezinha acima de Fiera di Primiero, no verão de 1949. Chiara Lubich (fundadora do Movimento) e suas primeiras companheiras, após 6 anos de intensa vida de doação, por sugestão do seu bispo, viram a necessidade de tirar uns dias de férias e foram passar estas férias numa rústica casa de montanha. Foram em 6 ou 7 focolarinas e depois se uniu a elas Igino Giordani (Foco), o primeiro focolarino casado. Já há alguns anos procuravam viver intensamente o Evangelho, as palavras de Jesus, e naquele período de férias intensificaram ainda mais essa vivência, principalmente o amor recíproco que Jesus nos recomenda em seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Queriam repousar e estavam precisando mesmo de umas férias; mas o zelo levou-as a fazerem apostolado também no vale de Primiero. As Mariápolis de fato surgiram, desta primeira experiência, fora do propósito de repouso, onde participaram uma dezena de pessoas, entre focolarinas e focolarinos. E foi uma forte manifestação do divino: como um Tabor, de onde quase se viu o Paraíso.
No verão do ano seguinte (1950), já estiveram presentes umas 50 pessoas, entre pais, crianças e religiosos.
Em 1951, chegaram a 300 pessoas, mais ou menos. Também desta vez, estavam presentes rapazes e moças, mães e pais, crianças e velhos. Em 1953, também De Gasperi participou. O número das pessoas crescia em proporção geométrica. Por isso já em 1951 começou-se a dar o nome de “Cidade” a estes encontros, cuja característica “mariana” veio muito em relevo no ano de 1954, quando todos os congressistas consagraram-se ao Coração Imaculado de Maria.
Em 1955, depois da visita de Chiara a irmã Lucia, em Coimbra, em honra de Nossa Senhora de Fátima, foi dado o nome de Mariápolis (que significa “cidade de Maria”) ao congresso, e desta vez participaram mais de 1000 pessoas. Era Maria que dava o “tom” àquela convivência, como também era o modelo de humildade, caridade, serviço, que a espiritualidade do Movimento exigia.
No ano seguinte o pároco de Fiera di Primiero perguntou: “Como vocês fizeram para reunir em poucos anos milhares de pessoas, tendo começado com 5 ou 6 moças?”. “Com anúncios econômicos nos jornais”...respondemos. O pároco caiu na risada.
Para manter unidos tantos irmãos, nasceu o jornal quinzenal: “Città nuova” (Cidade Nova), como instrumento da caridade recíproca: o nº 1 é de 15 de julho de 1956. Impulsionado pela mesma caridade, ele enfrentou logo edições em 8 línguas.
Em “Città nuova” de 15 de outubro de 1956, que era feita no mimeógrafo, foi publicada uma carta do ex-comunista, deputado Luigi Silipo, que dizia entre outras coisas: “Tenho a fortuna de conhecer muitíssimos focolarinos e – também esta é uma graça de Deus – sempre que estou em contato com eles, sinto-me consolado. O jornal reflete com limpidez cristalina o mundo da unidade em Cristo redentor...” Naquele ano participaram da Mariápolis, diversas personalidades, como bispos, políticos, professores universitários... Foi a 8ª Mariápolis e realizou-se a comunhão entre pessoas dos 5 continentes. Elas deram ao congresso um caráter de universalidade e de unidade. O periódico “Città nuova” concorreu para cimentar a unidade nos vários países, chegando como a voz de “Jesus no meio”.
Em 1957, já participaram umas 6000 pessoas.
Em um escrito de maio de 1958, com o título “Prepara-se a Mariápolis 1958”, lê-se: “É comovente ver a acolhida feita ao Movimento dos Focolares no vale di Primiero. Quando fomos prenotar as casas para este ano, quando dizíamos “somos focolarinos”, os vultos se iluminavam com uma alegria sincera. Alguém nos disse: “Esperávamos vocês, porque nossa vida ganhou significado com a vossa presença”. Assim não foi difícil encontrar os lugares para a Mariápolis que prevíamos muito mais numerosa que dos anos anteriores. Justamente de várias cidades nos diziam: nós viremos em 25, nós viremos em 30, nós em 20. Depois neste ano o jornal “Cittá nuova”, tinha se tornado um alimento regular para milhares de pessoas, com as quais antes não tínhamos contato senão esporadicamente, ou talvez nunca e muitas também queriam participar da Mariápolis. Aconteceram também vários encontros no verão, para levar o Ideal nos vários âmbitos da vida humana: medicina, teologia, política, pedagogia, direito e então era preciso pensar em alojar uma família maior.
A maior dificuldade provinha justamente disto: os corações estavam abertos, felizes de nos acolher, mas as casas, os quartos, eram insuficientes. No ano passado, em alguns períodos, tínhamos nos arranjado como podíamos, mas neste ano precisava prever tudo com antecedência.
Depois de algum sofrimento, veio ao nosso encontro a Providência... com alojamentos para todos.
Também tivemos uma sala nossa para as reuniões. Não existindo uma sala com capacidade suficiente para todos, alugamos uma pré-fabricada. A Providência ajudou também neste aspecto, porque a Obra é de Maria e não será, certamente, por dificuldades deste tipo que muitas e muitas graças deixarão de cair sobre as almas”.
Naquele verão de 1958, inspirando-se numa Exposição Mundial Belga, de produtos científicos e técnicos, quisemos fazer da Mariápolis uma pequena “Exposição de Deus”, com o desejo de sublinhar os valores universais do espírito. No final desta Mariápolis, Chiara escreveu:
“É a última tarde. Amanhã se parte. Na vida sempre tive a força de não olhar para trás quando passava de um lugar para outro.
O ano de 1959, viu a Mariápolis como uma flor na plenitude da vida: pequeno esboço daquela cidade de Maria que a Obra deveria contribuir a construir no mundo. Estavam reunidas pessoas de 27 nações, que falavam 9 línguas diferentes. Todos unidos consagraram a Deus a própria terra, para fazer de todos os povos o único povo de Deus; adotando o mandamento que Chiara retirou do Evangelho: “ama a pátria dos outros como a tua”.
Devido ao enorme afluxo de pessoas e às condições que o Movimento atravessava, não foi mais possível realizar Mariápolis daquele tipo. Foram suspensas e mais tarde recomeçaram no Brasil, em 1961, onde participaram 60 pessoas e depois numerosas em algumas regiões da Itália e em outras nações em 1964. E assim as Mariápolis se multiplicaram pelo mundo inteiro.
Mariápolis é então lugar de encontro de todas as proveniências: estação de redescoberta dos irmãos. Redescoberta do Evangelho... Este o objetivo: expor e aprender a Vontade de Deus, para fazer com que a luz do Evangelho invada o mundo e clarifique as almas. As Mariápolis são quase “férias” do espírito. Como se dá ar da montanha ou água do mar para o corpo, para restaurá-lo, assim numa atmosfera natural bela, se dá um concentrado de graças sobrenaturais para a alma. A qual, sem isto, morre por asfixia.
As Mariápolis agora são feitas de alguns dias (nos primeiros tempos duravam um ou dois meses) de vida cristã, no amor de Deus e dos irmãos, na solidariedade do Corpo Místico, sob a lei de Maria. Foram chamadas por jornalistas também de exercícios espirituais de massa.
Também hoje, nós aqui nos encontramos na Mariápolis 2010, que tem como título “E nós acreditamos no Amor”.
AS MARIÁPOLIS
(do livro “Erano i tempi di guerra”)
O que é a Mariápolis?
A declaração de um operário italiano resume o seu espírito: “Fiquei admirado com a fraternidade que existe aqui: realmente não esperava. Fiquei encantado. O fato é que se deve participar para experimentar; e dizê-lo é uma coisa, mas estar aqui é outra. Ah, que semana!”
Estes encontros aos quais damos o nome de Mariápolis, surgiram espontaneamente: o Espírito de Deus os suscitou, o Esposo de Maria.
O primeiro esboço se delineou na região Trentina, nos Alpes de Tonadico, uma cidadezinha acima de Fiera di Primiero, no verão de 1949. Chiara Lubich (fundadora do Movimento) e suas primeiras companheiras, após 6 anos de intensa vida de doação, por sugestão do seu bispo, viram a necessidade de tirar uns dias de férias e foram passar estas férias numa rústica casa de montanha. Foram em 6 ou 7 focolarinas e depois se uniu a elas Igino Giordani (Foco), o primeiro focolarino casado. Já há alguns anos procuravam viver intensamente o Evangelho, as palavras de Jesus, e naquele período de férias intensificaram ainda mais essa vivência, principalmente o amor recíproco que Jesus nos recomenda em seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Queriam repousar e estavam precisando mesmo de umas férias; mas o zelo levou-as a fazerem apostolado também no vale de Primiero. As Mariápolis de fato surgiram, desta primeira experiência, fora do propósito de repouso, onde participaram uma dezena de pessoas, entre focolarinas e focolarinos. E foi uma forte manifestação do divino: como um Tabor, de onde quase se viu o Paraíso.
No verão do ano seguinte (1950), já estiveram presentes umas 50 pessoas, entre pais, crianças e religiosos.
Em 1951, chegaram a 300 pessoas, mais ou menos. Também desta vez, estavam presentes rapazes e moças, mães e pais, crianças e velhos. Em 1953, também De Gasperi participou. O número das pessoas crescia em proporção geométrica. Por isso já em 1951 começou-se a dar o nome de “Cidade” a estes encontros, cuja característica “mariana” veio muito em relevo no ano de 1954, quando todos os congressistas consagraram-se ao Coração Imaculado de Maria.
Em 1955, depois da visita de Chiara a irmã Lucia, em Coimbra, em honra de Nossa Senhora de Fátima, foi dado o nome de Mariápolis (que significa “cidade de Maria”) ao congresso, e desta vez participaram mais de 1000 pessoas. Era Maria que dava o “tom” àquela convivência, como também era o modelo de humildade, caridade, serviço, que a espiritualidade do Movimento exigia.
No ano seguinte o pároco de Fiera di Primiero perguntou: “Como vocês fizeram para reunir em poucos anos milhares de pessoas, tendo começado com 5 ou 6 moças?”. “Com anúncios econômicos nos jornais”...respondemos. O pároco caiu na risada.
Para manter unidos tantos irmãos, nasceu o jornal quinzenal: “Città nuova” (Cidade Nova), como instrumento da caridade recíproca: o nº 1 é de 15 de julho de 1956. Impulsionado pela mesma caridade, ele enfrentou logo edições em 8 línguas.
Em “Città nuova” de 15 de outubro de 1956, que era feita no mimeógrafo, foi publicada uma carta do ex-comunista, deputado Luigi Silipo, que dizia entre outras coisas: “Tenho a fortuna de conhecer muitíssimos focolarinos e – também esta é uma graça de Deus – sempre que estou em contato com eles, sinto-me consolado. O jornal reflete com limpidez cristalina o mundo da unidade em Cristo redentor...” Naquele ano participaram da Mariápolis, diversas personalidades, como bispos, políticos, professores universitários... Foi a 8ª Mariápolis e realizou-se a comunhão entre pessoas dos 5 continentes. Elas deram ao congresso um caráter de universalidade e de unidade. O periódico “Città nuova” concorreu para cimentar a unidade nos vários países, chegando como a voz de “Jesus no meio”.
Em 1957, já participaram umas 6000 pessoas.
Em um escrito de maio de 1958, com o título “Prepara-se a Mariápolis 1958”, lê-se: “É comovente ver a acolhida feita ao Movimento dos Focolares no vale di Primiero. Quando fomos prenotar as casas para este ano, quando dizíamos “somos focolarinos”, os vultos se iluminavam com uma alegria sincera. Alguém nos disse: “Esperávamos vocês, porque nossa vida ganhou significado com a vossa presença”. Assim não foi difícil encontrar os lugares para a Mariápolis que prevíamos muito mais numerosa que dos anos anteriores. Justamente de várias cidades nos diziam: nós viremos em 25, nós viremos em 30, nós em 20. Depois neste ano o jornal “Cittá nuova”, tinha se tornado um alimento regular para milhares de pessoas, com as quais antes não tínhamos contato senão esporadicamente, ou talvez nunca e muitas também queriam participar da Mariápolis. Aconteceram também vários encontros no verão, para levar o Ideal nos vários âmbitos da vida humana: medicina, teologia, política, pedagogia, direito e então era preciso pensar em alojar uma família maior.
A maior dificuldade provinha justamente disto: os corações estavam abertos, felizes de nos acolher, mas as casas, os quartos, eram insuficientes. No ano passado, em alguns períodos, tínhamos nos arranjado como podíamos, mas neste ano precisava prever tudo com antecedência.
Depois de algum sofrimento, veio ao nosso encontro a Providência... com alojamentos para todos.
Também tivemos uma sala nossa para as reuniões. Não existindo uma sala com capacidade suficiente para todos, alugamos uma pré-fabricada. A Providência ajudou também neste aspecto, porque a Obra é de Maria e não será, certamente, por dificuldades deste tipo que muitas e muitas graças deixarão de cair sobre as almas”.
Naquele verão de 1958, inspirando-se numa Exposição Mundial Belga, de produtos científicos e técnicos, quisemos fazer da Mariápolis uma pequena “Exposição de Deus”, com o desejo de sublinhar os valores universais do espírito. No final desta Mariápolis, Chiara escreveu: “É a última tarde. Amanhã se parte. Na vida sempre tive a força de não olhar para trás quando passava de um lugar para outro.
O ano de 1959, viu a Mariápolis como uma flor na plenitude da vida: pequeno esboço daquela cidade de Maria que a Obra deveria contribuir a construir no mundo. Estavam reunidas pessoas de 27 nações, que falavam 9 línguas diferentes. Todos unidos consagraram a Deus a própria terra, para fazer de todos os povos o único povo de Deus; adotando o mandamento que Chiara retirou do Evangelho: “ama a pátria dos outros como a tua”.
Devido ao enorme afluxo de pessoas e às condições que o Movimento atravessava, não foi mais possível realizar Mariápolis daquele tipo. Foram suspensas e mais tarde recomeçaram no Brasil, em 1961, onde participaram 60 pessoas e depois numerosas em algumas regiões da Itália e em outras nações em 1964. E assim as Mariápolis se multiplicaram pelo mundo inteiro.
Mariápolis é então lugar de encontro de todas as proveniências: estação de redescoberta dos irmãos. Redescoberta do Evangelho... Este o objetivo: expor e aprender a Vontade de Deus, para fazer com que a luz do Evangelho invada o mundo e clarifique as almas. As Mariápolis são quase “férias” do espírito. Como se dá ar da montanha ou água do mar para o corpo, para restaurá-lo, assim numa atmosfera natural bela, se dá um concentrado de graças sobrenaturais para a alma. A qual, sem isto, morre por asfixia.
As Mariápolis agora são feitas de alguns dias (nos primeiros tempos duravam um ou dois meses) de vida cristã, no amor de Deus e dos irmãos, na solidariedade do Corpo Místico, sob a lei de Maria. Foram chamadas por jornalistas também de exercícios espirituais de massa.
Também hoje, nós aqui nos encontramos na Mariápolis 2010, que tem como título “E nós acreditamos no Amor”.
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